TRIBUTO A JAIRO GIRON

O seu nome está presente em boa parte dos comentários do grupo INTERNATO GRANBERY 67-70, geralmente reportando às suas ações disciplinadoras sobre a vida desses endiabrados que foram encaminhados pelas famílias, da Bahia, Espírito Santo, Norte de Minas, São Paulo... para estudarem naquele renomado colégio Metodista.
Tarde da noite, em inspeções de rotinas, ou acionado pelo Sr. Soares, o “Melecão”, quando o circo pegava fogo, logo aparecia o Sr. Jairo. Não tinha hora para dormir.
Já cedo ia correndo pelos quartos: “ acordem leões”, repetindo isso de quarto em quarto. Ninguém podia perder aulas.
Sua vida pessoal era absolutamente invadida a todo instante, já que morava com D. Berenice e os filhos Jairinho, Martinzinho, Ricardinho e Margareth junto ao internato, no mesmo andar dos menores.
Aos domingos era visto saindo com a Bíblia para a igreja, mas não raramente tinha problemas com algum pivete, quando de seu retorno. Nem domingos, nem feriados...
Era jogo duro e hoje a gente vê que ele não podia agir de forma diferente. Certa noite, cheguei atrasado num sábado, pois estava num festival do qual o Granbery participava. Achei que isso seria motivo suficiente para quebrar a regra, mas não foi. No domingo seguinte, fui para o castigo. 
À tarde, o queridíssimo Dr. Almir Maia, conselheiro de jovens da Igreja Metodista Central, passou no Granbery para me pegar para irmos a um aniversário de algum jovem. Aleguei estar de castigo e ele nem pode apelar para o Sr. Jairo, pois ele estava ausente. Por minha conta e risco, decidi ir. Afinal, era uma programação da Igreja Metodista. Ledo engano. No retorno, outra bronca do Sr. Jairo e novo castigo no domingo seguinte. Que absurdo! Blá, blá, blá... . Tardiamente, vejo que estava certo o Sr. Jairo.
* Cléber Paradela- Belisário/Muriaé-MG

Certa vez passei mal e a D. Berenice cuidou de mim na casa dela dentro do Granbery. O Sr. Jairo fazia, às vezes, o papel de nosso pai dentro do internato, atencioso quando precisávamos dele e duro na hora do castigo. Que Deus o tenha em bom lugar.
                               *Jefferson “Dentinho”- São Paulo

Quando entrei no Granbery havia um exame médico admissional, o Sr. Jairo e D. Berenice se mostraram muito preocupados com o resultado, que apontaram problema no coração. Solícitos, pediram a presença de meus pais no colégio. Mas houve boa surpresa: o laboratório havia trocado os exames. Eu estava apto.
Por outro lado, em 1965 eu saía para jogar bola quando o Sr. Jairo me chamou e pediu que lhe mostrasse o meu olho. Estava muito amarelo e pediu para ver a minha urina, que estava bem escura. Imediatamente, me mandou para a enfermaria, D. Berenice foi também ver o que estava acontecendo e foi constatado que estava com hepatite infecciosa de 3º grau.  Meus pais foram chamados e levaram para o Rio deitado no carro. Fiquei três meses acamado e perdi o ano letivo.
O carinho paterno da parte de Sr. Jairo ficou evidente quando ele foi informado de uma briga num salão de sinuca no centro de Juiz de Fora, onde alguns internos estavam sendo ameaçados. Ele juntou outros alunos e partiram para o local, para defender seus pupilos.
O doloroso era a distribuição de cheques da semanada, no sábado. A garotada se juntava perto da escada e era aquela angústia. Ia entregando um a um e ficava a expectativa no ar. Será que vou receber? No final, para quem havia aprontado não havia cheque. “Você não fez por onde” afirmava ele.
Era rigoroso, mas era um cara bacana. Um anjo da guarda a quem os pais entregavam seus filhos, de todas as idades. Quando tinha de brigar brigava, dava murro na mesa, mas quando era necessário um carinho, nessa hora ele era carinhoso.
Eu costumava me envolver em brigas e por isso ele falava que eu tinha complexo de forte, pelo meu sobrenome. Com isso, na hora da chamada, o professor gritava: “Ricardo Valente”. Eu respondia “Muniz presente”.
     *Ricardo Valente “Muniz Presente”. Salvador/Bahia

 

 

 

 


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